Em terra de lobos

Hoje acordei pensando no poder das máscaras. E no papel que elas exercem na sociedade contemporânea. Cheguei à conclusão que é absurdamente difícil viver sem fazer uso delas. Mostrar a verdadeira face não é costume nem tarefa agradável. E infelizmente isso também é regra no meio dito “cristão”.
Ontem fiz um desabafo no meu twitter. Disse que “quando saio de casa para ir a algum lugar encontrar um amigo minha motivação é sempre o encontro, nunca o local. Então meus amigos só devem me chamar pra sair se a motivação também for o encontro. Caso contrário, prefiro nem ser lembrado”. A tag usada foi #de-cisão. Cisão. Rompimento. Separação. Sim, decidi me livrar de mais um fardo.
É triste ver nas pessoas que se dizem amigas a falta de motivação para o encontro humano. É inegável nos evangelhos que Jesus se motivava pelo humano. Ele não ia à sinagoga pela sinagoga, mas por causa das pessoas que estariam lá. Para discutir com elas, ensiná-las e – o mais importante – manifestar seu Amor. Cristo não tinha imagem pública a preservar. Ia a festas, onde o humano se encontrava em suas mais diversas faces: bêbados, prostitutas, mentirosos, idólatras. Misturava-se. Dissolvia-se na escuridão a fim de ser Luz onde essa é necessária. Ninguém precisa de uma lâmpada enquanto há sol.
Veja bem: o encontro humano O motivava. Ele não fazia shows quando as multidões o seguiam. Apenas demonstrava o Amor do Pai. Hoje, no meio “cristão”, o lugar central que antes era ocupado pelo próximo foi transferido para as plataformas. Ministros, líderes, moveres, unções. E o outro? Se ele estiver à minha frente, impedindo-me de ver quem segura o microfone no palco, adoto a tática dos empurrões e pontapés. Simples! Ele – o ser-humano – não importa. O foco é o animador de auditório. Aquele que fará a massa gritar, pular, sorrir, chorar. Sobra emoção. Falta razão. Não há espaço para o Amor.
O medo do que o outro vai pensar das nossas falas e atitudes tem mais poder do que o que Jesus ensinou. Principalmente se, na “igreja”, esse outro for hierarquicamente superior. Contraditório isso, já que Jesus nos orientou o caminho da humilhação. A ação de ocupar os últimos lugares. Mesmo que seja na noção de respeito que o outro nutre por nós.
Ser de Cristo implica em ser considerado por muitos como anti-Cristo. Amar como Jesus ensinou significa ser mal visto. Desfazer-se das máscaras e mostrar o rosto verdadeiro exige disposição para ceder a outra face quando a primeira for atacada. Motivar-se no encontro com o humano – e não no encontro com a plataforma onde os “espirituais” se estabelecem – muitas vezes é visto como o maior erro.
Na inversão de valores proposta frequentemente no meio cristão, o Amor pode ser visto como um dos maiores pecados. É arriscado. É difícil. E machuca. É necessário ter disposição para a sensação de solidão que nos visita nos mais diversos pontos da caminhada. Nadar contra a correnteza exige muito mais fôlego e preparo.
Aos que querem seguir a Cristo – e não ao Cristianismo -, um conselho: acostumem-se desde já com os últimos lugares. Aceitem o desafio de não ter a melhor imagem. Quando os lobos vestem uma fantasia mal-feita de ovelha, o feio se torna maioria. E a pura lã da ovelha passa a ser exceção. Com isso, as ovelhas se tornam “o estranho”. Em terra de lobos travestidos de ovelhas, quem tem lã pura se transforma em lobo.
25 de dezembro de 2009 às 19:30
Meu querido você falou tudo em um só tópico!
Todos os problemas, as fraquezas, as tristezas, enfim todo o mal que se penetra na igreja, começa a partir de toda essa màscara!
Por se fazerem fortes e “superiores”, muitos sofrem em silêncio e acabam não conseguindo continuar a caminhada…
Enquanto , alguns outros, se fazem de frágeis para por exemplo : pedir pra “irmãzinha fazer orações por ele”, quando na verdade o que ele quer é orar com e por ela(entende?!)<~ Estes são os “crentes” sabe?! Não são discipulos…não são seguidores… não podem ser considerados A NOIVA DE DEUS!
Jesus é o CAMINHO, a VERDADE e a VIDA! Então porque não conseguimos seguir seus passos, viver em verdade e buscar a vida eterna que ele nos proporciona?
Posso dizer que TODOS erramos, e que muitas vezes me escondo por trás de máscaras…Sei que não é certo…Mas é tão difícil sobreviver nesse mundo do qual não somos filhos e no qual não somos aceitos…É difícil lutar 24 horas contra todo o mal(inveja, intrigas, desejos impuros, raiva, fraqueza, tristeza, paixões,etc.) e não tentar se esconder às vezes.
Enfim, é uma guerra diária BEM x mal…Mas nós somos LUZ e temos que brilhar! Portanto,
“SEJAMOS LIVRES DE TODAS AS MÁSCARAS, E COMO DIZ A CANÇÃO DE HELOÍSA ROSA:
EU QUERO ME ESVAZIAR DA RELIGIOSIDADE, EU QUERO ME ESVAZIAR DE MIM, EU QUERO ME ESVAZIAR DE TODOS OS MEUS TITULOS E DE TUDO QUE ME AFASTA DE TI JESUS!”
VAMOS NOS ESVAZIAR DE TODA FALSIDADE E DE TODA E QUALQUER MÁSCARA!
Shallon!!!
26 de dezembro de 2009 às 17:08
Obrigado pelo comentário Ellen, muito bonita a letra dessa música.
Abs!